sábado, 4 de agosto de 2012

Como Faço Para Viver No Brasil Nos Dias Atuais???


NÃO SOU:
NEM NEGRO, NEM ÍNDIO, NEM VIADO, NEM ASSALTANTE, NEM GUERRILHEIRO, NEM INVASOR DE TERRAS.

Como Faço Para Viver No Brasil Nos Dias Atuais???

Na Verdade Eu Sou Branco, honesto, professor, advogado, contribuinte, eleitor, hetero...

E Tudo Isso Para quê???

Meu Nome é:
Ives Gandra da Silva Martins*

Hoje, tenho eu a impressão de que no Brasil o "cidadão comum e branco" é agressivamente discriminado pelas autoridades governamentais constituidas e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que eles sejam índios, afrodescendentes, sem terra, homossexuais ou se autodeclarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos.
Assim é que, se um branco, um índio e um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, ou seja, um pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles! Em igualdade de condições, o branco hoje é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior (Carta Magna).
Os índios, que, pela Constituição (art. 231), só deveriam ter direito às terras que eles ocupassem em 05 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado, e ponham passado nisso. Assim, menos de 450 mil índios brasileiros - não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também por tabela - passaram a ser donos de mais de 15%  de todo o território nacional, enquanto os outros 195 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% do restante dele. Nessa exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não-índios foram discriminados.
Aos 'quilombolas', que deveriam ser apenas aqueles descendentes dos participantes de quilombos, e não todos os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição Federal permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito.
Os homossexuais obtiveram do Presidente Lula e da Ministra Dilma Roussef o direito de ter um Congresso e Seminários financiado por dinheiro público, para realçar as suas tendências - algo que um cidadão comum jamais conseguiria do governo!
Os invasores de terras, que matam, destroem e violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que este governo considera, mais que legítima, digamos justa e meritória a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem esse 'privilégio', simplesmente porque esse cumpre a lei.
Desertores, terroristas, assaltantes de bancos e assassinos, que, no passado, participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de R$ 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para 'ressarcir' aqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se disseram perseguidos.
E são tantas as discriminações, que chegou a hora de se perguntar: de que vale o inciso IV, do art. 3º, da Lei Suprema?
Como modesto professor, advogado, cidadão comum e além disso branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço nesta sociedade, em terra de castas e privilégios, deste governo.
(*Ives Gandra da Silva Martins, é um renomado professor emérito das Universidades Mackenzie e UNIFMU e da Escola de Comando e Estado Maior do Exército Brasileiro e Presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo ).

Para os que desconhecem o Inciso IV, do art. 3°, da Constituição Federal a que se refere o Dr. Ives Granda, eis sua íntegra:

"promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação."

Um comentário:

  1. Não sou a favor de cotas porque acredito que é excludente, discriminatória. Observemos esse discurso a que se refere o Dr. Ives Granda, em sua íntegra afirma no Inciso IV, do art. 3°, da Constituição Federal: "Promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação."
    Então, porque, o índio um ser humano, brasileiro só tem direito a mais de 15% de todo o território nacional, enquanto os outros também brasileiros têm direito a 85% do restante dele.
    Porque, todos os brasileiros juntos não são os donos dos 100% do território nacional?
    Por que fracionário os brasileiros entre negros, brancos, índios, pobres,quilombos, homoafetivos, ....?
    Por que os quilombos, os índios, os afrodescendentes, os homoafetivos, os sem terra, os sem teto, estão lutando para terem seus direitos garantidos? Será que algum "cidadão comum e branco" está tratando-os como reis, como soberanos?
    Se o direito a vida com dignidade é direito de todos por que meu avô branco foi para a casa grande e o avô negro ficou na senzala?
    Acredito que quando todos forem tratados com direitos iguais “sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” o homem estará contribuindo para a construção de uma vida humanescente. Portanto, torna-se-á desnecessário as cotas.
    Sou Ana Lucia de Araújo, sou uma cidadã comum e parda, sou íntegra, sou contribuinte, sou aluna de escola pública, sou professora de uma escola pública da cidade do Natal. Com muito orgulho, sou uma cidadã branca, indígena e afrodescendente.
    Sou uma mistura de povos.

    ResponderExcluir